sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Brown Bunny,Vincent Gallo

Filme solitário,hardcore e de espírito livre de um diretor que fez o que quis,além de atuar no seu próprio filme:Vincent Gallo,de quem eu havia conseguido um cd faz tempo,e que me chamou a atenção ao atuar no filme de sangue da Claire Denis,Trouble Every Day.
Massacrado em Cannes na sua primeira versão(proposital,chamada por vincent de 'print screen'),de 120 minutos,foi muito bem reesquematizado na versão segunda e definitiva,de 2003,com 90',e dessa vez fácil de assistir,porém com cortes que,lendo sobre o filme anterior,eu pediria que não existissem.(exemplo:havia um flasahback com Gallo e Chloe Sevigny numa bicicleta, ela no bagageiro agarrada com um braço e a outra mão firme apalpando no sexo dele,sobre o jeans)
Filme muito doce com a linda Chloe Sevigny no elenco,de quem sempre gostei,desde sempre,trabalhando com Harmony Korine, Peter Jackson, e outros filmes por aí.

E sem querer e com muito gosto,ela apareceu hoje de novo por aqui:comecei a baixar Julie Donkey Boy,filme do Korine que está disponível no makingoff sempre com legenda,agora que estão fazendo uma coleta dos filmes do Dogma 95.viva!




domingo, 27 de setembro de 2009

A anatomia de Duras em Breillat

Perco-o antes que me aconteça..

"Tu choras.
O choro acorda-a. Olha para ti. Olha para o quarto. E olha novamente para ti. Acaricia-te a mão. Pergunta: Porque é que chora? Tu dizes que ela é que tem de dizer porque é que choras, que ela é que deveria sabê-lo.
Ela responde muito baixo, docemente: Porque não ama. Tu respondes que é isso.
Ela pede-te que lhe digas isso claramente.
Dizes: Eu não amo.
Ela diz: Nunca?
Tu dizes: Nunca.
Ela diz: O desejo de estar quase a matar um amante, de o guardar para si, para si apenas, de se apoderar dele, de o roubar contra todas as leis, contra todos os impérios da moral, não conhece esse desejo, nunca conheceu?
Dizes: Nunca.
Olha para ti, repete: É curioso, um morto."
Marguerite Duras,em A Doença de Morte,livro de onde provavelmente (e a com certeza que comprovei nas letras das folhas) Catherine Breillat sugou seu filme de 2004,chamado Anatomie de l'enfer.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

La Rose de Fer,Jean Rollin

Mesmo que seja esse um singular filme de Jean Rollin por não haver sangue,já viu poesia escrita com a morte?A eternidade em uma flor de ferro,o Amor enterrado no subterrâneo...

"Sobre nós, os raios do sol
Já chegaram.
Me dê sua mão.Desça!
As flores estão dançando.
Seus dedos estão ardendo,
meu amor.
Seu hálito sobre meu corpo.
Espere-me!
Juntos para sempre.
...
Todos vocês estão mortos.
E nós,vivos."





Baixei aqui.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Cría Cuervos, Carlos Saura

Esses dias assisti pela terceira vez e meia um dos meus filmes preferidos,se não o mais:



"Cría cuervos y te sacarán los ojos"

terça-feira, 11 de agosto de 2009

W.R.,Dusan Makavejev

"O Velho Gepetto sorriu porque sabia,em seu coração,que Pinocchio tinha muito que aprender antes de poder ser um garoto de verdade."




Dusan Makavejev,cineasta sérvio,que realizou ousados filmes como Sweet Movie
e Montenegro-porcos e pérolas,foi expulso da Iuguslávia por ter se juntado às idéias de
William Reich e ter filmado um longa sobre sua vida e invenções.
Reich estudou o Orgone Energy,a energia universal em forma de orgasmo e tentou,por meio disso,curar doenças,até mesmo o câncer.Depois disso foi preso.Esse é um filme sobre sua vida.




A canção final do filme:

"Para cada um,Senhor,eu rezo,
o que se precisa é doação.
Ao sábio,um aparelho
Ao covarde,um cavalo
Ao afortunado,algum dinheiro
E lembre-se,eu também estou aqui
Antes que a terra se esgote
de seu poder sem fim
À mão que esta aberta conceda caridade,
O presente do arrependimento para Caim.

Oh senhor,a arte do conhecimento,
Eu acredito na sabedoria
como o soldado caído crê no céu
Ele está vivo de novo.
Como cada ouvido acredita
na palavra falada como verdadeira.
Como todos homens devem crer
Eles não sabem o que fazem.

Antes que a terra se esgote
e toda a dor esteja feita
Enquanto o fogo queima no céu
e o dia ainda suba novamente
Conceda a cada um alguma coisa pequena
e lembre-se,eu também estou aqui."

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

STALKER,Andrei Tarkovski

Um filme sobre esperança.Lindo,magnífico,doído,real.
Agora o verão se foi
E poderia nunca ter vindo.
No sol está quente.
Mas tem de haver mais.
Tudo aconteceu,
Tudo caiu em minhas mãos
Como uma folha de cinco pontas,
Mas tem de haver mais.
Nada de mau se perdeu,
Nada de bom foi em vão,
Uma luz clara ilumina tudo,
Mas tem de haver mais.
A vida me recolheu
À segurança de suas asas,
Minha sorte nunca falhou,
Mas tem de haver mais.
Nem uma folha queimada,
Nem um graveto partido,
Claro como um vidro é o dia,
Mas tem de haver mais.






TERRA EM TRANSE, Glauber Rocha.

"Queria abrir o tema 'transe', ou seja a instabilidade das consciências. É um momento de crise, é a consciência do barravento."
Filme dirigido por Glauber Rocha em 1967.

Mar bravio que me envolve
neste doce continente
A este esquecimento
posso doar a minha triste voz
matina
Mais triste que a revolta
Muito mais.
Vomito na carne o ácido dólar
Avançando nas praças
Entre ninhos
sujos com sus ojos de passaros cegos
Vejo que de sangue se desenha o Atlântico
sob uma constante
ameaça de metais ajato
Guerras e guerras nos países
exteriores.
Posso acrescentar que na lua
um astronauta se deu por achado;
Todas as piadas são possíveis
na tragédia de cada dia.
Eu,por exemplo,
me dou ao vão exercício da poesia.



Quando a beleza é superada pela realidade,
Quando perdemos nossa pureza
nesse jardim de mares tropicais
Quando no meio de tantos anêmicos
Respiramos o mesmo bafo de verme
em tantos póros animais
Ou quando fugimos das ruas
e dentro da nossa casa
A miséria acompanha em suas coisas mais fatais,
como a comida,o livro,o disco,a roupa,o prato,
a pele,o fígado e a raiva
Rebentando a garganta em pânico
E um esquecimento de nós inexplicável
Sentimos finalmente que a morte é que converge,
mesmo com forma de vida,
Agressiva.


(...)

"Não é mais possível esta festa de medalhas, este feliz aparato de glórias, esta esperança dourada nos planaltos. Não é mais possível esta festa de bandeiras com guerra e Cristo na mesma posição! Assim não é possível a impotência da fé, a ingenuidade da fé.

Somos infinita, eternamente filhos das trevas, da inquisição e da conversão! E somos infinita e eternamente filhos do medo, da sangria no corpo do nosso irmão!

E não assumimos a nossa violência, não assumimos as nossas idéias, como o ódio dos bárbaros adormecidos que somos. Não assumimos o nosso passado, tolo, raquítico passado, de preguiças e de preces. Uma paisagem, um som sobre almas indolentes. Essas indolentes raças da servidão a Deus e aos senhores. Uma passiva fraqueza típica dos indolentes.

Não é possível acreditar que tudo isso seja verdade! Até quando suportaremos? Até quando além da fé e da esperança suportaremos? Até quando, além da paciência, do amor suportaremos? Até quando além da inconsciência do medo, além da nossa infância e da nossa adolescência suportaremos? "

domingo, 19 de julho de 2009

Todo desejo é um desejo de morte.

Vez ou outra tenho a sensação de que o cinema está no pico de uma montanha.Tudo o que vejo se confunde com o céu e logo minha doença tomará outros rumos,porque no Tempo de Agora há filmes maravilhosos e depois eu nunca sei.Há tanto a dizer e não digo,tanta sensação a dividir,e sempre me falta uma câmera nas mãos.Ou as mãos nos seus olhos.

Onde depositar todo o sonho que invade?
E é apenas a vida,se manifestando.

O cinema é uma doença e estou doente.Mas:
"O que nos humaniza são os vícios,não as virtudes.Temo pessoas que não têm vícios. O novo hipócrita é magérrimo,'verde' e antitabagista."(Luiz Felipe Pondé)